Trump diz que Irã quer acordo e adia ataque a usinas por cinco dias

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (23) que o Irã está disposto a negociar um acordo para encerrar as hostilidades no Oriente Médio e que conversará por telefone com representantes iranianos ainda hoje. Em declaração a jornalistas antes de embarcar no Air Force One, em Palm Beach, na Flórida, Trump disse que ambos os países têm interesse em uma solução diplomática.
"Nós também gostaríamos de fazer um acordo. Temos uma chance muito séria, mas isso não garante nada", ressaltou, evitando promessas concretas. Segundo Trump, as negociações envolvem 15 pontos, com a renúncia do Irã ao programa nuclear ocupando as três primeiras posições na pauta.
Ele sugeriu que Teerã poderia abandonar seus planos de armas nucleares em troca da paz, mas não detalhou como isso seria viabilizado. "Amanhã de manhã, em algum horário deles, esperávamos destruir suas maiores usinas de energia, que custaram mais de US$ 10 bilhões para construir.
Um tiro e elas desabariam. Por que iriam querer isso?", questionou, justificando a decisão de adiar ataques. O impasse começou no sábado (21), quando Trump deu um ultimato de 48 horas para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz "sem ameaças", sob pena de os EUA "aniquilarem" suas usinas de energia.
O prazo, que expiraria às 20h44 desta segunda (horário de Brasília), foi suspenso após Trump afirmar que autoridades iranianas o procuraram para negociar. Em uma publicação na rede Truth Social, ele celebrou "conversas muito boas e produtivas" nos últimos dois dias e anunciou a suspensão de ataques por cinco dias, condicionada ao sucesso das discussões.
No entanto, o governo iraniano negou veementemente qualquer diálogo. O Ministério das Relações Exteriores de Teerã emitiu nota afirmando que "a República Islâmica do Irã mantém sua posição de rejeitar qualquer tipo de negociação antes de alcançar os objetivos do Irã com a guerra".
A agência de notícias Fars, ligada à Guarda Revolucionária, também desmentiu contatos com os EUA, atribuindo o recuo de Trump ao temor de retaliações. "Após ouvir que nossos alvos incluiriam todas as usinas de energia do Oriente Médio, ele recuou", disse uma fonte não identificada.
A tensão no Estreito de Ormuz — rota crucial para o transporte global de petróleo — fez os mercados reagirem. Após o anúncio de Trump, o preço do petróleo Brent caiu 13%, para cerca de US$ 96 o barril, enquanto o índice FTSE 100, da bolsa de Londres, reverteu uma queda inicial e fechou em alta de 0,5%.
A Guarda Revolucionária iraniana já havia advertido que fecharia completamente o estreito caso os EUA atacassem sua infraestrutura energética, elevando o risco de um conflito mais amplo na região.
