Mais de 667.000 deslocados no Líbano em uma semana devido a bombardeios... ACNUR alerta sobre lacuna de financiamento

BEIRUTE – Pouco mais de uma semana após o início da nova escalada, em 2 de março, alertas de evacuação em mais de 53 vilarejos e áreas densamente povoadas, juntamente com a intensidade dos ataques aéreos, fizeram famílias em todo o Líbano fugirem em minutos.
Segundo as autoridades, mais de 667.000 pessoas já se registraram na plataforma do governo para deslocados, com um aumento de mais de 100.000 em um único dia, à medida que os números continuam a aumentar. De acordo com os mesmos dados, cerca de 120.000 pessoas deslocadas estão hospedadas em abrigos coletivos designados pelo governo, enquanto outras estão distribuídas entre casas de parentes e amigos, ou ainda estão buscando abrigo.
Muitos fugiram pela segunda vez desde o início das hostilidades em 2024, indo para Beirute, Monte Líbano, regiões do norte e partes do Bekaa em busca de segurança. O ACNUR afirmou que vem apoiando os esforços do governo e das autoridades locais para responder a necessidades emergenciais desde o primeiro dia.
Até agora, cerca de 168.000 itens de ajuda foram distribuídos para mais de 63.000 pessoas deslocadas em mais de 270 abrigos coletivos.
A ajuda inclui colchões, cobertores, tapetes, sacos de dormir, luminárias solares e garrafas de água, e é transportada de armazéns para abrigos por vários canais, incluindo ONGs nacionais e internacionais, autoridades locais e parceiros como a Cruz Vermelha Libanesa, para garantir acesso rápido e coordenado, inclusive a áreas de difícil acesso.
O ACNUR afirmou ter observado um impacto psicológico profundo dos deslocamentos repetidos, observando que crianças e adultos, incluindo muitos idosos, viviam sob o peso do trauma e do medo. Equipes de defesa em centros comunitários, voluntários e parceiros oferecem apoio psicossocial, identificam pessoas em risco, reúnem crianças separadas de suas famílias e apoiam pessoas com deficiência.
Ela apontou o caso de uma mulher na casa dos 90 anos que perdeu 11 membros da família durante os ataques de 2024 e foi novamente deslocada para morar em uma escola que foi transformada em abrigo em Beirute. Paralelamente, as travessias de fronteira têm visto um movimento urgente em direção à Síria.
Segundo as autoridades sírias, desde o início da escalada, mais de 78.000 sírios do Líbano entraram, além de mais de 7.700 libaneses. O ACNUR disse que refugiados sírios planejavam atravessar, mas alertou sobre um grande défice de financiamento, com suas operações no Líbano atualmente apenas 14% financiadas.
Pediu uma solidariedade internacional rápida e sustentada para permitir que apoie o governo e as autoridades libaneses no atendimento às crescentes necessidades. Enfatizou a necessidade de proteger os civis e garantir acesso seguro e sem restrições à ajuda humanitária, alertando que a continuação do conflito dia após dia agrava o sofrimento de centenas de milhares e desestabiliza ainda mais o Líbano e a região.
